Quando é amor...
O que fazemos por amor
pelos Editores do Reader's Digest
Para a irmã
O Melhor dos Presentes
«Vou doar-te um rim!»
A frase marcante foi proferida em agosto de 2021, durante um passeio de bicicleta, quando Irmgard Haack confessou ao irmão, após muita hesitação, que teria de começar a fazer diálise no final do ano.
«A minha reação foi impulsiva, mas não imprudente», recorda Hans-Jürgen Fiedler. «Desde que a doença de Irmgard foi diagnosticada em 2014, sempre tive essa opção em mente.» Naquela época, a irmã, três anos mais velha que ele, foi diagnosticada com vasculite grave – uma doença autoimune que consiste na inflamação crónica dos vasos sanguíneos. A enfermeira, que tinha 51 anos aquando do diagnóstico, foi sobretudo afetada nos rins. Hans-Jürgen Fiedler, funcionário comercial, conhecia um colega que tinha doado um rim à esposa. Ambos estavam visivelmente melhor desde o transplante. «Finalmente puderam voltar a ter uma vida normal», diz Hans-Jürgen, que, apesar de ser um de quatro irmãos, tinha uma relação particularmente próxima com a irmã mais velha desde a infância. «Sempre fomos capazes de nos compreender », confirma Irmgard. No entanto, ela tem a certeza de que nunca poderia ter pedido ao irmão para tomar uma decisão tão importante. «É um passo irrevogável e um presente pelo qual nunca poderei ser suficientemente grata», diz com lágrimas nos olhos.
Geneticamente os irmãos eram compatíveis, conforme foi revelado pelo exame do doador realizado no Hospital Universitário de Erlangen em agosto de 2021. «A única coisa que não era compatível eram os nossos tipos sanguíneos», explica Irmgard. O Centro de Transplantes de Erlangen resolveu com sucesso essa complicação com um procedimento combinado. «No caso de uma doação em vida com tipos sanguíneos incompatíveis, usamos um procedimento muito eficaz que combina uma única infusão de medicamento com várias lavagens sanguíneas», relata a Dra. Katharina Heller, chefe do Centro de Transplantes de Erlangen-Nuremberga.
Graças à preparação abrangente, o transplante de órgão decorreu sem complicações, e o rim de Hans-Jürgen Fiedler começou a funcionar imediatamente no corpo de Irmgard Haack.
«Já me sinto muito melhor. Os imunossupressores que terei de tomar no futuro para evitar que o meu corpo rejeite o rim estranho também têm um efeito positivo na vasculite», disse a recetora do órgão doado, radiante de alegria logo após o procedimento. «Estou mais do que feliz por ter tomado esta decisão», afirma o irmão. «Não conseguiria viver a pensar que podia resultar e eu não tinha tentado.»
Kerstin Bönisch
Uma Amiga
Responde à chamada
Kristen Kruse sabia melhor do que ninguém que a sua amiga de há mais de 20 anos, Stephanie Zimmerer, não era do género de largar tudo e viajar 2400 quilómetros por capricho. Mas aconteceu ter ligado para Stephanie com uma notícia surpreendente: a sua mãe, Sandra Thompson, que tinha sido diagnosticada com cancro em estágio 4 dois anos antes, tinha apenas alguns dias de vida. O seu último desejo era ver Kristen casar com o seu parceiro de longa data, Tyler Butler.
O casal tinha dois filhos e nenhum dos dois tinha pressa no casamento, mas realizar o desejo da mãe era agora a prioridade e, portanto, Kristen tentou freneticamente organizar uma cerimónia de casamento em apenas três dias. Embora quisesse desesperadamente ter a amiga por perto, vendo como as coisas estavam a acontecer tão depressa, Kristen disse a Stephanie para esquecer a ideia de ir ao casamento, mas pediu-lhe que assistisse à cerimónia por FaceTime, a partir de casa, no Nebraska. Se não pudesse estar lá fisicamente, poderia estar em espírito.
Stephanie disse que não, que não assistiria à cerimónia pelo FaceTime: iria de avião para o casamento.
«Eu só queria levar a alegria que pudesse a um momento sombrio», resumiu Stephanie à revista People.
Alguns dias depois, Stephanie apanhou um avião para a Flórida. Após um longo e emocionado abraço com muitas lágrimas, Kristen pôs a amiga a trabalhar. Afinal, tinham um casamento para organizar: Stephanie fez inúmeras tarefas e garantiu que Kristen tinha tudo o que precisava, desde coisas grandes a pequenas, como pasta de dentes. No grande dia, fez de rececionista, indicando os lugares aos convidados, e depois abriu, com pétalas de flores, o caminho para a noiva até ao altar.
A cerimónia íntima e o jantar, com apenas alguns convidados, aconteceram no jardim da casa da mãe e do padrasto de Kristen. Durante a cerimónia, a mãe ficou num quarto de hóspedes perto de uma grande janela, onde «conseguiu ouvir um pouco, ver quase tudo e sentir todo o amor no jardim», explica Kristen Kruse, que naquele dia se tornou Kristen Butler.
Alguns dias depois, Sandra Thompson faleceu. Kristen chamou ao dia do seu casamento «o melhor e o pior dia da minha vida» por causa de todas as emoções contraditórias – felicidade e tristeza. Mas conseguiu superar isso, em grande parte graças à amiga de longa data.
«Eu precisava da sua clareza de espírito para pensar por mim», diz. «Precisava das suas palavras de encorajamento. Precisava dos seus abraços. Precisava que ela me contasse histórias para me lembrar dos bons momentos. Precisava que ela se despedisse da minha mãe. Eu só precisava da alma dela ali com a minha. Ela nunca saberá o quanto a sua presença significou para mim e a minha família.»
Um Marido e um Noivo
Fazem tudo pelos anéis de casamento
Um dos problemas das pipocas com manteiga – e não há muitos – é que deixam uma película pegajosa, embora deliciosa, nas mãos. Basta perguntar a Steve e Jeannine Van Ysseldyk. O casal, de Mission, na Colúmbia Britânica, estava a comer pipocas no relvado quando deixaram cair algumas. Jeannine apanhou-as e atirou-as para um monte de composto. Em seguida, ela e Steve acabaram de comer as pipocas.
No dia seguinte, descobriu que os anéis de noivado e casamento tinham desaparecido. Depois de procurarem em todo o lado, colocaram a hipótese de que os anéis escorregaram do dedo para o monte de composto quando Jeannine atirou as pipocas. Não havia problema – só precisavam de vasculhar o monte. Mas a câmara já o tinha recolhido.
Steve é um homem determinado e no dia seguinte conduziu até ao aterro e perguntou se podia vasculhar as 18 toneladas de composto para procurar os anéis da esposa, como se fosse um pedido comum.
«O meu cérebro estava a tentar arranjar uma maneira de lhe dizer que comprasse outros anéis à esposa», confessou o encarregado do aterro, Denny Webster, à CTV News no Canadá. Mas Webster é simpático e não só lhe deu o aval, como usou uma escavadora para separar o composto, facilitando a tarefa a Steve.
Aos poucos, Steve acabou por reconhecer o seu lixo. «O meu saco de pipocas! As minhas salsichas!», gritou, animado, como se tivesse encontrado velhos amigos. Milagrosamente, encontrou o anel de noivado e, uma hora depois, a aliança de casamento – ambos cobertos de manteiga das pipocas. Steve ligou imediatamente para Jeannine, que chorou de alegria. Não apenas porque tinha encontrado os anéis, mas «porque sei o quanto ele me ama, a ponto de estar disposto a vasculhar uma pilha de composto podre e fedorento», diz Jeannine a sorrir
Steve Van Ysseldyk não foi o único a procurar um diamante. Quando Micherre Fox e o namorado, Trevor Ballou, decidiram casar, Michelle, que tinha acabado de concluir um mestrado em Gestão na Fordham University, em Nova Iorque, pegou na tenda, na cama de campanha e nas ferramentas e mudou-se para o Crater of Diamonds State Park, no Arkansas. Desde 1972 que cerca de 35 mil diamantes foram descobertos no parque, e ela estava determinada a encontrar o diamante 35 001 para o seu anel de casamento.
Foi um trabalho lento e fisicamente difícil. Após três semanas a cavar e a vasculhar, Michelle estava prestes a desistir. Então, um objeto brilhante na terra, do tamanho de um dente humano, chamou-lhe a atenção. Duvidou que fosse verdadeiro, mas pegou nele, limpou-o e mandou avaliá-lo no escritório do parque. Jackpot! Era um diamante branco que pesava 2,3 quilates, disseram-lhe. Um gemologista avaliou-o em 50 mil dólares.
«Passar por todo o trabalho para encontrar a joia foi uma decisão fácil», disse Michelle à CBS News. Isso permitiu-lhe marcar uma posição perante o noivo: «Foi uma oportunidade perfeita para me comprometer com quem eu quero ser num relacionamento.»
Uma skater
Homenagem ao padrasto
A velha imagem do padrasto malvado certamente não se aplicava a Roger McElroy. Ele fazia questão de ser uma presença positiva na vida da enteada, Brooke Johnson.
Nos momentos em que a vida era madrasta para Brooke, Roger estava lá para ajudá-la a reerguer-se. Durante um período difícil, deixou-lhe uma mensagem de voz a dizer: «Vai ficar tudo bem. Nós vamos superar isso.»
Em 2024, Roger sofreu uma queda que o deixou tetraplégico. Três semanas e meia depois, morreu devido aos ferimentos. Mas antes disso, enquanto velava ao lado da sua cama, Brooke partilhou com Roger o sonho de se tornar a primeira mulher a atravessar o país de skate. Ele queria fazer parte disso, e tinham planeado que ela o empurraria na sua cadeira de rodas até à linha de chegada.
Ela não tinha a certeza se iria conseguir, mas Roger tinha fé nela.
«Eu disse: “Roger, é um país grande.” E ele respondeu: “Bem, tu consegues fazê-lo”», disse Brooke ao programa Good Morning America.
Após a morte de Roger, Brooke, então com 29 anos, decidiu homenageá-lo tornando-se a primeira mulher a atravessar o país de skate. Ao longo do caminho, angariaria fundos para a Wings for Life, uma organização sem fins lucrativos que apoia pesquisas sobre lesões na espinal medula.
Acompanhada por uma autocaravana e uma equipa de filmagem e levando ao pescoço um medalhão com as cinzas de Roger McElroy, Brooke começou viagem em abril passado na praia de Santa Monica, na Califórnia. O destino era Virginia Beach, a 5250 quilómetros de distância.
Com uma média de 50 a 80 quilómetros por dia, a viagem de Brooke pelos Estados Unidos levou-a a subir e descer montanhas, passar por campos de trigo e atravessar cidades sob chuva e calor escaldante. Durante todo esse tempo, Roger McElroy estava a acompanhá-la. Vai ficar tudo bem. Nós vamos superar isso.
A 15 de agosto, após 119 dias, Brooke chegou ao oceano Atlântico. Ninguém ficou mais surpreendido do que ela por ter concluído o que tinha começado e ao mesmo tempo arrecadou cerca de 50 mil dólares para a Wings for Life.
«Roger deu-me um propósito, e por isso agradeço-lhe todos os dias», afirmou Brooke à ABC News.
No Hospital
Salvei a vida de um homem
Ele estava em muito mau estado e eu, sem perceber, salvei-o.
Há cinco anos, passei por uma experiência que será difícil de esquecer. Tive de ficar internado durante 10 dias. É verdade que não precisei de ventilação mecânica, mas precisei de oxigénio para conseguir respirar.
Partilhei o quarto do hospital com um senhor idoso que, quando cheguei, estava num estado realmente crítico. Além disso, não obedecia aos critérios para receber um ventilador e, portanto, teve de se contentar com uma máscara que lhe fornecia uma quantidade significativa de oxigénio. Estava completamente desorientado e incapaz de calcular há quanto tempo se encontrava ali. O pobre homem chorava à noite, reclamava constantemente e tossia, tossia, tossia.
No segundo dia em que dividimos o quarto, quando o vi um pouco mais calmo e acordado, atrevi-me a falar com ele. Perguntei-lhe o nome, há quanto tempo estava ali e se tinha tido algum contacto com a família. Começou a chorar.
Tentei tranquilizá-lo da melhor maneira possível e perguntei-lhe se tinha telemóvel. Ele apontou para um saco plástico que continha, além de roupa e medicamentos, um telemóvel e um cabo de carregamento. Como é evidente o telemóvel estava completamente descarregado, e por isso liguei-o e assegurei-lhe que, daí a algumas horas, tentaríamos entrar em contacto com a família.
Depois de algum tempo, liguei o telemóvel e uma série de chamadas perdidas começou a aparecer, quase todas do mesmo número. Não me lembro do nome, mas vamos chamar-lhe Maria. Perguntei-lhe quem era a Maria, e respondeu que tinha uma filha com esse nome. Liguei para aquele número e coloquei o telemóvel no ouvido dele.
Não dá para imaginar a expressão de alegria no rosto dele. Esta pessoa, que uns momentos antes não tinha motivos para continuar a viver, começou a falar e a fazer perguntas à filha, com as lágrimas a correrem-lhe pelo rosto. Descobri que ele não estava no hospital há muito tempo. A família estava ciente da sua evolução.
Alguns dias depois, recebi alta, e o homem que deixei para trás naquele quarto não era nem de longe a pessoa que tinha encontrado quando fui internado.
O que aprendi? Não é preciso ser-se um super-herói para salvar alguém. Basta colocarmo-nos no lugar dessa pessoa e tentar compreender o que ela está a passar, a sua dor, e fazer o que for possível para aliviá-la, mesmo que seja apenas carregar um telemóvel.
José M. Pino
Um vizinho
Palavras de conforto
O nome dele é Jacques. Na minha aldeia na Normandia, no extremo oeste de França, eu passava pela casa dele há muitos anos. Ele costumava estar no jardim ou acompanhado pela esposa, a passear com o andarilho. Normalmente trocávamos cumprimentos rápidos – «olá», «boa noite», «bom tempo».
Um dia, em outubro de 2025, vi-o parado à porta, ocupado a colocar herbicida no caminho. Como sempre, cumprimentámo-nos, mas desta vez ele pediu-me para olhar para o jardim atrás da casa, que cuida com muito amor. Concordei e assim começou uma conversa sobre tudo e nada, que acabou por levá-lo a desabafar sobre a sua vida solitária e triste. Com os olhos marejados, contou-me que a mulher tinha morrido de ataque cardíaco alguns meses antes. Que era ele quem devia ter partido, que tinha sofrido dois derrames. Disse que achava difícil ficar na casa onde tudo o lembrava do amor da sua vida. Então, escolheu sentar-se no banco do jardim, onde via as pessoas passar, a carteira, crianças. A vida...
O que o mantinha vivo eram os filhos. A filha, que não morava perto, ia cozinhar para ele durante a semana. O filho, que cuidava muito bem do pai. Tinha seis netos e muito orgulho neles! Graças ao Club Des Sans Soucis, que tem atividades para idosos, passava bons momentos com outras pessoas. Isso deixava-o feliz, criava laços.
De repente, a onda de nostalgia tomou conta dele novamente. «Eu é que devia ter partido, não a minha mulher.» O meu coração apertou-se, senti a sua dor. O facto de poder conversar com ele, trocar ideias, dava-lhe um pouco de calor no seu dia a dia. Agradeceu-me por «este raio de sol».
Desde então, sempre que passo pela casa dele, paro para conversar. «Ele» já não é apenas o senhor a quem costumava dizer olá. O nome dele é Jacques e, quando me disse orgulhosamente que 20 de outubro era o seu aniversário, senti vontade de escrever estas poucas palavras para lhe desejar um feliz 76.º aniversário: «Feliz aniversário, Jacques.»
Fabienne Croix
Uma Esposa
Arrisca a Vida
Numa manhã enevoada de fevereiro de 2025, o polícia reformado e agricultor a tempo parcial, Ramesan Nair E. K., e a esposa, P. K. Padmam, atravessavam o seu terreno numa pequena cidade chamada Piravom, no sul da Índia, onde se juntaram a parentes para colher pimenta-preta. Pouco depois, Ramesan, de 64 anos e em boa forma, estava a subir no topo de uma árvore de lilás-mexicano, perto do poço da família. Colhia pimentos das trepadeiras que se enrolavam em torno do tronco, enquanto Padmam trabalhava nas proximidades.
Então, um estalido agudo rompeu o silêncio da manhã. O ramo onde Ramesan se encontrava partiu-se e ele perdeu o equilíbrio. Caiu no poço de 12 metros, batendo a cabeça e as costas contra a parede durante a queda.
Padmam ouviu o estrondo, seguido pelo barulho assustador da água. Correu para o poço e olhou para a escuridão. Chamou o marido pelo nome. A voz fraca dele ecoou de volta – estava bem.
Apressada, encontrou uma corda de plástico e atirou-a para dentro do poço para que o marido pudesse subir. Durante alguns segundos, esperou por uma resposta. Então, ele gritou: «Não consigo. Estou fraco e tenho a perna magoada.»
Padmam entrou em modo de resgate. Pegou na corda grossa usada no sistema de roldanas do poço e, enquanto amarrava uma ponta a uma árvore, pediu a um familiar para chamar os bombeiros. Depois de amarrar a outra ponta da corda à cintura, Padmam subiu à berma do poço e desceu em rapel.
A parede coberta de musgo era escorregadia e os pés escorregavam constantemente. Entretanto, a corda cortava-lhe as mãos, deixando as palmas ensanguentadas. A meio da descida, Padmam perdeu o equilíbrio. Caiu e aterrou numa saliência que se projetava do interior do poço. O impacto deixou-a sem ar.
Enquanto recuperava o fôlego, espreitou para a escuridão, na esperança de avistar Ramesan. Mas não conseguia ver nem ouvir nada. «Só vi água», diz. Sem tempo para pensar, saltou.
A água à altura da cintura estava fria, repleta de criaturas invisíveis que sentia ao seu redor – peixes, sapos, insetos e pequenas cobras. Padmam tateou às cegas até que tocou no ombro do marido, que estava inconsciente e a escorregar, com o rosto quase a tocar na água.
Nem Padmam nem Ramesan são grandes, mas o tamanho e a constituição física médios de cada um escondem a força de um agricultor que trabalha nos campos. Reunindo todas as suas forças, Padmam levantou o marido e encostou-o à parede do poço, assegurando-se de que a cabeça permanecia acima da água.
Inclinou-se para ele, na esperança de ouvir o pulso ou a respiração, algo que indicasse que estava vivo – e sentiu. Uma respiração. Era fraca, mas bastava.
«Estou contigo», disse. «Não te vou deixar.»
Ramesan abriu lentamente os olhos. Juntos, esperaram.
A 12 metros de altura, a situação era agitada. Os bombeiros tinham chegado e os socorristas baixaram uma cesta de resgate para dentro do poço. Padmam ajudou o marido a entrar na cesta e observou-o a ser içado centímetro a centímetro. Com Ramesan em segurança, era a vez de Padmam.
Milagrosamente, o casal não sofreu ferimentos graves. E o dia que tinha começado como qualquer outra manhã nublada de fevereiro terminou como uma lembrança duradoura. O amor intenso desce às trevas – apenas para renascer.
Adila Matra
Um filho
Paga uma dívida
Quando Sho Dewan e a esposa, Janet Fong, se sentaram com os pais dele à mesa de jantar da sua acolhedora casa térrea nos subúrbios de Los Angeles, em maio passado, os Dewan mais velhos esperavam notícias sobre a próxima geração da família. Sho e a mulher tinham-se casado em novembro e os pais dele estavam ansiosos por ter netos. Sho entregou um envelope à mãe. Dentro havia um cartão do Dia das Mães que onde se lia: «Melhor mãe do mundo!» com «e bap» («pai» em bengali) escrito.
A mãe de Sho lançou um olhar para a nora e rapidamente ficou animada. Eles ESTÃO grávidos!, pensou.
Ah, não. Mas dentro do cartão havia outra surpresa.
Primeiro, um pouco da história da família Dewan. Há quase 30 anos, a família vivia uma vida confortável no Bangladesh. O pai de Sho era engenheiro mecânico e a mãe, professora. Mas os pais acreditavam que as perspetivas para o filho e a filha mais novos seriam melhores nos Estados Unidos. Quando Sho tinha 5 anos, a família fez as malas e mudou-se para o sul da Califórnia.
No início, foi difícil. As qualificações profissionais do casal não eram válidas nos Estados Unidos e tiveram de aceitar qualquer trabalho subalterno que encontrassem. O pai de Sho fritava frango num KFC e esfregava o chão num 7-Eleven. A mãe trabalhava num casino.
«Eles faziam qualquer coisa só para pôr comida na mesa», disse Sho à revista People. Os pais nunca se queixaram da sua sorte, nem pressionaram Sho a seguir o todo-poderoso dólar. Em vez disso, encorajaram-no a perseguir os seus sonhos.
Voltaram à escola aos 40 anos e, com o tempo, o pai de Sho conseguiu empregos mais bem remunerados, nos correios e num hospital. Por fim, o casal conseguiu comprar uma casa. Enquanto isso, o simpático Sho seguiu o conselho dos pais e criou a empresa dos seus sonhos, uma empresa de coaching de carreira chamada Workhap. A fé dos pais na América tinha valido a pena: o filho era um sucesso.
Mas algo incomodava Sho – os seus pais altruístas, agora reformados, ainda pagavam mensalmente a hipoteca. Para Sho, tinha chegado a hora de retribuir. Depois de tudo o que tinham passado, a mãe e o pai mereciam uma vida tranquila, sem o peso das dívidas.
De volta à mesa da sala de jantar. Dentro do envelope, a mãe de Sho encontrou um esboço simples da casa deles com «A nossa casa!» escrito por cima. O desenho estava no verso de um cheque.
No início, os pais de Sho ficaram confusos. Mas depois perceberam: Sho tinha passado um cheque com um valor muito elevado que cobria o restante da hipoteca.
«Sempre foi um sonho meu», diz Sho. «Adoraria cuidar dos meus pais, porque eles cuidaram de nós.»
RD
Um pai
Faz uma tatuagem
«Hoje», escreveu Eric Conklin no Instagram em agosto passado, «fiz uma tatuagem que significa mais para mim do que qualquer outra coisa que possa colocar na pele».
A arte corporal que lhe percorre o peito é impossível de ignorar quando tira a camisa. Não é uma rosa, nem diz «MÃE». É uma tatuagem de uma grande cicatriz com uma aparência agressiva. É irregular, horrível e, possivelmente, a coisa mais bonita que alguma vez verá. A tatuagem não está apenas situada em cima do coração, mas também vem do coração.
Cerca de um ano antes de fazer a tatuagem, o mundo de Conklin desabou. O filho, Bennett, nasceu com um defeito cardíaco congénito. Nos 30 dias seguintes, Benny, como é conhecido, foi submetido a várias cirurgias para corrigir o defeito. Foi uma situação muito delicada. Mas o menino era um lutador e sobreviveu à provação.
Crescer com essa cicatriz seria a próxima batalha que iria ter de enfrentar, e Conklin não queria que o filho passasse por isso sozinho. No Sunken Ship Tattoo Studio, em Boonton, Nova Jérsia, entregou ao proprietário, Jimmy Ingram, uma foto da cicatriz de Benny e disse: «Faça-me uma igual a esta!»
Pode parecer extremo. Mas «queria que ele soubesse que nunca estará sozinho nesta luta. A cicatriz dele é a história da sua sobrevivência. A minha é uma promessa. O que quer que ele carregue, eu também carregarei», diz Conklin.
RD
Um agricultor
Planta um pedido
Se Will Henderson fosse poeta, talvez tivesse pedido em casamento a namorada de longa data, Steph Carter, escrevendo uma ode aos seus olhos. Mas Will é agricultor e na Nova Gales do Sul, na Austrália, e, portanto, fez o pedido de uma forma que só um agricultor apaixonado poderia fazer.
Demorou cinco meses a plantar, cultivar, aparar, moldar, podar e cuidar de uma colheita especial de colza. Quando floresceu, no início de setembro, Will e Steph, que é professora, embarcaram num pequeno avião a pedido dele. Ela esperava sobrevoar algumas terras agrícolas, uma atividade que já tinha apreciado. Mas, ao sobrevoarem as plantações, em vez de alfafa ou milho, viu um campo amarelo brilhante disposto em letras com cerca de 12 metros de largura. Juntas, formavam a frase «QUERES CASAR COMIGO?»
«Eu achava que ele iria pedir-me em casamento em breve», disse Carter à Australian Broadcasting Corp. «Mas não esperava que o fizesse da maneira que fez.»
Steph não precisou de meses de planeamento, reflexão e angústia sobre a sua resposta. Foi rápida e direta: «Sim!»
RD
O ritual matinal de Bonner Herring consistia em examinar o lago na sua propriedade em Southport, na Carolina do Norte, à procura de um aligátor de 2,5 metros que tinha o hábito de apanhar sol na margem antes de começar o dia. Se não estivesse por perto, Herring deixava Strike, o seu labrador preto de 4 anos, sair para correr.
Mas em 16 de junho de 2025 Herring distraiu-se com o trabalho no jardim e esqueceu-se de fazer a verificação habitual do lago. Strike saiu a correr, sem se preocupar com nada, como os cães costumam fazer.
Mas há coisas com as quais é preciso ter cuidado neste mundo, como Strike e Bonner depressa descobriram. Cerca de 45 minutos depois de começar a jardinagem, o homem percebeu que algo estava errado. Como contou à WWAY-TV, uma filiada local da ABC: «Ouvi Strike soltar um grito como nunca tinha ouvido.» Então veio um respingo, e Bonner instintivamente soube o que era. Correu em direção ao lago. A cerca de 6 metros de distância, entre as ondulações na superfície da água, Bonner avistou Strike nas mandíbulas do aligátor, lutando para manter a cabeça acima fora da água. Um olhar de medo irradiava dos olhos do cão enquanto era puxado para mais longe.
Foi tudo o que Bonner Herring precisou de ver antes de saltar para a lagoa. Quase de imediato ficou sem pé, porque o fundo se inclinava abruptamente.
Nadou até alcançar Strike, que estava preso nos dentes do aligátor. Bonner agarrou Strike e tentou puxá-lo, batendo os pés vigorosamente para se manter à tona. Mas o réptil não o soltava. Bonner tentava nadar em direção à margem, e o aligátor tentava atravessar o lago.
«Era como se estivéssemos presos», disse o homem ao jornal State Port Pilot.
De repente, Bonner e Strike começaram a mover-se. O aligátor tinha afrouxado o aperto, e o homem aproveitou a oportunidade. Mas quando se aproximavam da margem, o réptil voltou, chegando a poucos metros deles, insuflado para parecer maior e assustando Bonner.
Quando se cansou de brincar, o animal afastou-se, permitindo que Bonner Herring, com Strike nos braços, subisse para terra firme.
Strike sobreviveu por pouco ao ataque. Tinha o fémur direito partido em três locais, feridas perfurantes e uma hemorragia interna. Bonner Herring diz que está feliz por ter o seu amigo de volta.
«Ele tinha aquele olhar de “Por favor, faz alguma coisa, papá”», contou Bonner Herring à WWAY-TV. «Tomei a decisão de que não voltaria para casa sem ele.»
RD






